O que é leishmaniose?

A leishmaniose é uma doença transmitida tanto aos cães quanto ao homem pela inoculação de um protozoário por meio da picada do inseto popularmente conhecido como mosquito-palha ou birigui, cientificamente chamado de Lutzomyia longipalpis.

Parece complicado? Vamos simplificar, na prática, o protozoário denominado Leishmania parasita as células de defesa do organismo do cão ou do homem causando uma série de sintomas e levando a alterações em órgãos vitais. As crianças são as principais vítimas da leishmaniose, que é uma doença crônica e, se não tratada, leva à morte em 90% dos casos.

Ilustração do mosquito-palha

Os tipos

Existem dois tipos de leishmaniose:

  • A tegumentar ou cutânea
  • A visceral ou calazar

A tegumentar caracteriza-se por feridas na pele que podem, em estágios mais avançados, comprometer também as mucosas do nariz, da boca e da garganta. Já a leishmaniose visceral é uma doença sistêmica, que acomete vários órgãos internos, principalmente o fígado, o baço e a medula óssea.

No Brasil

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde (2015) mostram que, em dez anos, o número de casos de leishmaniose visceral no Brasil reduziu 9%, passando de 3.597 casos, em 2005, para 3.289 casos, em 2015.

Casos de leishmaniose visceral por região

  • Nordeste 1.806
  • Sudeste 538
  • Norte 469
  • Centro-Oeste 157
  • Sul 5

Com relação à leishmaniose tegumentar, nesse período houve a redução de 27%, passando de 26.685 casos em 2005 para 19.395 casos em 2015.

Casos de leishmaniose tegumentar por região

  • Norte 8.939
  • Nordeste 5.152
  • Centro-Oeste 2.937
  • Sudeste 1.762
  • Sul 493

Apesar da diminuição dos casos, é importante não descuidar. A leishmaniose não tem cura. Em 2017 foram registrados casos da doença em cidades de Norte a Sul do Brasil. Veja mais em Notícias

No mundo

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a leishmaniose visceral ou calazar é endêmica em 62 países. São 500 mil novos casos em humanos a cada ano e cerca de 200 milhões de pessoas estão em risco em todo o mundo.

Transmissão da doença

A leishmaniose pode ser transmitida para o cão e para o homem e ocorre somente por meio da picada do mosquito-palha.

Não existe a transmissão direta, sem a picada do mosquito, tanto entre seres humanos, entre cães ou dos cães para os seres humanos e vice-versa.

Fotografia do Lutzomyia longipalpis - Mosquito palha
Foto por Ray Wilson, Liverpool School of Tropical Medicine [CC BY 2.5 or CC BY 2.5], via Wikimedia Commons

Os sinais clínicos

Os sinais clínicos iniciais da leishmaniose podem ser confundidos com o de muitas outras doenças, por isso o diagnóstico nem sempre é feito no primeiro momento.

Nos cães, pode ocorrer vômito, fraqueza, emagrecimento, acentuada queda de pelos, feridas de difícil cicatrização no focinho, orelhas e patas e um crescimento anormal das unhas. Mas há cães que não apresentam os sintomas e mesmo assim estão com a doença. Se forem picados pelo mosquito, eles darão continuidade ao ciclo da doença.

Nos seres humanos, pode acontecer febre prolongada e persistente, fraqueza, emagrecimento, baço aumentado e os sangramentos são comuns em casos crônicos e mais graves.

Fotografia de sinais clínicos em cachorro
Fotos: Dermatologia clínica de cães e gatos, Ton Willemse, página 42

Diagnóstico da doença

Em geral, não são feitos exames de rotina que sejam realizados para o acompanhamento periódico dos animais.

Quando o médico-veterinário tem a suspeita da leishmaniose, são feitos exames para verificar a carga de parasitas na lesão por meio de raspagens e biópsias. O exame parasitológico é normalmente o primeiro a ser feito, por ser o mais rápido e de menor custo. Outros exames ajudam o diagnóstico, como o hemograma.

Também é possível realizar o Elisa (Ensaio Imunoenzimático) e a Imunofluorescência Indireta (IFI), que são exames sorológicos específicos.

Como prevenir a leishmaniose em seu cão?

Estudos comprovam que a medida mais eficaz de prevenção da transmissão da leishmaniose para o cão é pela proteção contra a picada do mosquito-palha, inseto transmissor da doença. Essa proteção é feita pelo uso de produtos veterinários que contêm substâncias com a propriedade de repelir o mosquito-palha. Alguns destes produtos causam também a morte desse inseto e controlam a população enquanto protegem o cão.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconizam a deltametrina como princípio-ativo para o combate do mosquito. Ela age como repelente e inseticida do mosquito-palha.

Como prevenir a leishmaniose em sua família?

A prevenção da transmissão da leishmaniose em humanos é feita por meio de medidas que evitam as picadas do mosquito-palha e controlam a sua população.

As principais recomendações são colocar telas finas em portas e janelas de casa; retirar diariamente fezes dos animais, folhas e frutos em decomposição do quintal da casa, pois as larvas do mosquito-palha se desenvolvem em matéria orgânica decomposta; evitar a exposição ao mosquito, principalmente ao anoitecer e no início da noite, quando eles saem dos esconderijos para picar e têm sua maior atividade. Para quem mora em propriedades rurais, mais uma dica importante: manter o galinheiro e outros abrigos de animais limpos e afastados da casa.

Fontes: Ministério da Saúde, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, OMS.